Sexta-feira, Julho 24, 2009
Bon vent
Sexta-feira, Julho 17, 2009
Terça-feira, Julho 14, 2009
Juliette
Juliette Greco aos 82 anos!!!!
You're the only one
Judia nascida na Tunísia, vivendo em França... dá isto!
Um ovni chamado Camille
Dutronc, Thomas
Herdeiro de Françoise Hardy e Jacques Dutronc... Les chiens ne font pas de chats
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Anaïs
Sexta-feira, Maio 01, 2009
Such sweet sorrow
Quinta-feira, Abril 30, 2009
The end
The end. The final stroke. No words spoken. Just silence and endless, senseless memories. The end, it is finished and nothing had yet begun.
Sábado, Novembro 08, 2008
Poetry Poesia Poésie
'I've always associated the moment of writing with a moment of lift, of joy, of unexpected reward' 'I always believed that whatever had to be written would somehow get itself written,'
Quarta-feira, Novembro 05, 2008
Colheita de 83
Sábado, Novembro 01, 2008
Não conclusivo
Quinta-feira, Outubro 30, 2008
Last but not the least
Céline
Domingo, Outubro 26, 2008
Pari Passu
Sábado, Outubro 25, 2008
One more for the road
Céline
Sexta-feira, Outubro 24, 2008
Tout et son contraire
James Joyce
Quinta-feira, Outubro 23, 2008
Até onde se pode alcançar
"We only begin to live when we conceive life as a tragedy..."
W. B. Yeats
E não esqueceremos o comentário justo, inteligente e acerado dp J.S.Q. no post anterior.
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
Escombros
Sexta-feira, Outubro 03, 2008
Leitura
Ler é inscrever por dentro
recorte puro de palavras - exactas dimensões
penso fazer um desenho
auto-retrato
pois tudo está escrito no rosto
e resplandece no olhar
Terça-feira, Setembro 30, 2008
Visões
Ela acrescenta "As mãos nunca mais serão cálidas" sem saber que tem mais do que razão e que essa razão é certeira e atinge o núcleo do que escrevo.
São ambos certeiros estes anjos guardiãos, voláteis e virtuais que me gratificam da sua presença na história que vou construindo. Mas o que prevalece é que ambos perceberam, no âmago do que digo, esse apego doentio ao fruto apodrecido e morto.
Sexta-feira, Setembro 26, 2008
Memória
Uma tábua rasa
Um olhar transparente
Mãos cálidas.
Era
Domingo, Agosto 03, 2008
Sábado, Julho 26, 2008
Sexta-feira, Julho 11, 2008
A estrada para Sesimbra

Era uma estrada cheia de curvas e contra-curvas. Havia grandes espaços cobertos de pinheiros por onde o carro ou a mota passava sem pressas, deslizando com a facilidade dos passeios da infância. Era uma estrada descurada, com buracos aqui e ali, já com bastante trânsito nessa altura. O meu pai adorava aquele bailado de curva e contra-curva e curva novamente. Ele conduzia com uma perícia delicada, sem arranques, fosse mota ou fosse carro. Ia-se com ele e o veículo que nos transportava acompanhando as curvas apertadas, deslizando fluidamente. Eu olhava para os pinheiros altos, sentia o cheiro da caruma, entre muitos, um dos preferidos, o calor do dia de verão.
Para chegar a Sesimbra nesses tempos era como subir e descer montanhas, suavemente. Não era nunca nauseante porque íamos em direcção do mar. It was a rollercoster of pleasure.
E passado Santana, começava-se a descida. No alto de uma colina um velho castelo que servia de cemitério e que ainda lá há-de estar. A paisagem aparecia como um triângulo invertido, uma espécie de cone onde, de repente e sempre como uma maravilha aparecia no fundo o brilho do mar. Naquele triângulo invertido aparecia o mar quase como um púbis resguardado entres as pernas cruzadas de uma mulher.
Foram muitos os anos em Sesimbra. Havia outros itinerários preferidos, como Colares, Praia das Maçãs, Guincho e a marginal desde Cascais até Lisboa.
Mas Sesimbra foi a minha infância e adolescência de verões intensos e cheios de uma leveza, de uma claridade e de uma intensidade que só se conhecem uma vez na vida.
A estrada para Sesimbra foi refeita anos depois. O meu pai perdeu muito do prazer de conduzir até là porque as curvas e contra-curvas foram mais ou menos "apagadas" como se se tivesse utilizado uma borracha. E Sesimbra encheu-se daqueles prédios horrendos da costa, a praia do porto de abrigo desapareceu com a chegada da lota que dantes se fazia na praia, na vila, os imensos peixes alinhados na areia, um cheiro intenso de algas e de homens cansados.
A minha mãe viajava entre os peixes com o seu olho acerado de cozinheira de muitos talentos enquanto eu escutava a algaraviada da lota, os homens clamando "chui!" para concluir a compra de um lote de peixe. O meu pai fumava um cigarro a alguma distância, olhando para o mar, calmo e tenso, comme à son habitude, como ele combinava essas duas coisas dentro dele não sei, mas não pareciam contraditórias.
São coisas antigas como a velha estrada para Sesimbra.
Quarta-feira, Julho 02, 2008
Quinta-feira, Junho 19, 2008
Olhar Oblíquo

Houve um tempo em que o olhar, novo embora, estava já instado pela seriedade das coisas a vir. Fazia-se ligeiramente carregado, ainda interrogador e manso mas certeiro na indagação do que era já ou temível ou preparação para a guerra.
Não se sorri quando assim é. Os lábios ficam cerrados mas sem convicção, não é ainda de crispação que vão falar. Lábios unidos num mutismo de teimosia ou só de concentração.
Em que pensava a rapariga da janela quando assim olhou para a objectiva que a fixava com amor? Esse rosto que é belo (e não o sabia) tem a luminosidade do que é extremamente jovem, esse grão de pele completamente uno. Mas é quase sombrio esse olhar oblíquo, desafiando quem fotografa como se fosse um devassador de pensamentos muito intímos. É quase um olhar de fera, devastador de tristeza e força. Um animal que vai embater com os cornos duros a dureza da vida.
Os próximos anos serão os mais difíceis. Esse olhar oblíquo sabe-o já.
Quarta-feira, Junho 11, 2008
A gabardine de Bogart
A gabardine de Bogart não é só uma peça de vestuário. É um mito. É uma ode às santas tardes cinéfilas de domingo durante as quais forgei mas do que uma cultura ou nostalgia.
Terça-feira, Junho 10, 2008
Outro tanto
Por dentro do sono e deste fogo lento que me vai queimando as pálpebras, vibro intensamente na intenção de construir um poema. Um poema vibrando no ar como uma gota de água, humidade próxima do teu corpo. Respiração.Conheço de cor a fúria hábil dos dedos
o meu calor
a raíz das coisas é também isto :
saber com a polpa do corpo
o fogo
Domingo, Junho 08, 2008
Paixão moribunda

Houve um pequeno riso muito discreto. Tentava não estar lá com muita energia. A possibilidade de um encontro, ainda que breve, frutificava o cansaço.
O tédio não seca. É como um rio abundante.
Não te falo. O silêncio é uma necessidade tão íntima quanto o sexo
esses barcos essa tempestade
onde vogas
estou cansada como velhíssima idade
e desgaste no meio dos torturosos caminhos que agora me fazes percorrer.
Estou também sofredora como inversa Mariana
então te escrevo longas cartas onde o amor é desesperado
até ao último fio de ouro.
Escrevo-te por dentro daquilo que não te digo. Repito : não te falo.
Acabaram-se-nos as histórias porque já não nos amamos.
Tu compreendias estas falarias, atitudes de quem perde o seu tempo sem mesquinhice e no calor.
Prefiro-te na distância do ténue fio que outrora nos ligava. Ofegantes na carícia da voz
um sexo latente e pulsante.
Tuas histórias não me interessam mais - oh o tédio e o mais pleno aborrecimento, vou regastando os corpos polidos
cristal -
ainda te mostro as coxas adultas juntamente como abrigo e fortaleza e Ìndias de contadores e loiças preciosas, um calor de seda
estátuas - são gregas, são gregas e em seguida são as ondas
e de ter teu muito conhecimento junto de mim, tua sapiência
ao fundo
ligeiramente embriagada junto ao teu corpo
Sábado, Junho 07, 2008
Reverso da medalha

"falling out of love is as delicate and important a business, and as necessary to the attainment of wisdom, as the reverse experience . . . I think that the exhilaration of falling out of love is not sufficiently extolled."
Article about The Good Soldier by Ford Madox Ford
Sábado, Maio 31, 2008
"Viver sempre também cansa"

Lêm-se coisas alarmantes nos jornais, vêm-se coisas indignantes na televisão. Não há só catástrofes naturais. Há catástrofes humanas por detrás de cada ser vivente. Cansa-me este mundo como coisa abjecta. Pensave eu ontem num poeta mito esquecido em Portugal : José Gomes Ferreira, diplomata comunista, senhor de uma cabeleira abundante e toda branca como o Vítor Hugo. Foi um poeta que produziu muito, o meu pai tinha por ele uma admiração sem fim que estava certamente ligada ao profundo humanismo do poeta, mais do que às suas crenças ideológicas.
Quando eu era muito pequenina e estava a aprender a ler, a minha mãe tinha posto no meu quarto uma pequena mesa onde jaziam, à mistura com revistas de modas (Burda! E nós sabemos como ainda hoje a elegância das alemãs tem esse lado frio e demasiado asséptico que sempre me fez detestar o lado convencional do bem-vestir com falsas pérolas). Meu pai andaria na leitura da Poesia I e que ele folheava com vagar. O livro tinha ficado sobre a pequena mesa...
E eu abri-o sem saber que ele iria para sempre revelar-me o mundo que eu preferiria a todos os outros : o da leitura. Aprendi a soletrar e a ler com o José Gomes Ferreira e tanto o li que acabei por decorar versos.
O que me ocupa aqui esta noite é o "viver sempre também cansa". A bon entendeur salut!
Quinta-feira, Maio 08, 2008
Soyons réalistes, demandons l'impossible.
Estes políticos de meia-tijela franceses actuais e adeptos do Sarkozy bling-bling (o presidente com o maior mau gosto do mundo, feio, pequeno e com ideais iguais ao físico dele) querem muito desacreditar os acontecimentos de maio 68. Há, no fundo disso, parece-me, como um medo profundo que uma nova revolução venha por aí. Não vem, hélas!
Um movimento que deixou escrito pelas paredes "sous les pavés la plage..." e "interdit d'interdire" só pode ter sido uma imensa lufada de ar novo, um vento implacável de liberdade. E não é de nostalgia de que aqui falo, a história não se repete tanto assim. Mas que me apetecia qualquer coisa deste género tão único e raro, sim!
Domingo, Abril 27, 2008
Esquecimento
Start me up

Apetecia-me as amigas, Romi a esbanjadora de amor, uma velha Ana Santiago que já não existe com o seu verbo alto, de uma Manecas irmã mais velha indicando o caminho, de uma Manela frágil...
Apetecia-me acabar com o exílio e a solidão a que ele obriga.
Mas não me apetece chorar.









